LUIZ GONZAGA

OS PAIS: JANUÁRIO E SANTANA

Seu Januário era um exímio tocador de sanfona e animador de bailes.
Também era um requisitado afinador do instrumento, que nas horas vagas do trabalho na roça se dedicava a afinar a sanfona como ninguém na região.

Homem de poucas palavras e profundo conhecimento intelectual, apesar de nunca ter frequentado uma escola, Januário logo se tornou o mais importante tocador da sanfona de oito baixos.
Ele foi o primeiro grande parceiro musical de Luiz Gonzaga, que ainda menino se apaixonou pela cadência do fole do pai.
Por causa disso, seu Januário ficou conhecido como o “vovô do baião”. Faleceu em 1978, deixando em Luiz Gonzaga e em toda Exu, uma enorme saudade.

Um ano após a morte do velho Januário,
Luiz Gonzaga grava um de seus mais bonitos discos: "Eu e meu pai”.

Adeus a Januário

Luiz Gonzaga
Compositores: (João Silva e Pedro Maranguape)

Ai que saudade, que dor
Que eu sinto até agora
De um velho e grande amigo
Que do mundo foi embora
Deus que ilumine os passos
Do seu novo itinerário
Tão guerreiro,companheiro
Conselheiro Januário
Seu Januário, Seu Januário
Deus que ilumine
O seu novo itinerário
Nesta minha homenagem
Quero dividir a dor
Com seu verdadeiro amigo
Que sempre lutou consigo
Na batalha e no amor
Sem medir qualquer distância
Sem contar qualquer horário
Aqui vai como lembrança
Meu deus, Seu Januário

 

Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento era conhecida como “Mãe Santana”. Durante muito tempo, Santana proibiu o filho de tocar sanfona, pois não queria que ele seguisse os mesmos passos do pai. Até que numa noite, um sanfoneiro contratado para tocar no Araripe faltou, e o menino Luiz foi convidado para tocar em seu lugar, com apenas 8 anos. Essa passagem é carinhosamente lembrada por Gonzagão, porque foi a primeira vez em que orgulhoso, ele tocou com a autorização de Santana. Seu primeiro cachê rendeu à família 20 mil réis e o tão sonhado reconhecimento da mãe.


Dona Santana faleceu em 1960, e o cemitério em que está enterrada em Exu leva seu nome: Cemitério de Santana.

Já vou mãe

Luiz Gonzaga
Compositores: (Dominguinhos e Anastácia)

Mãe eu vou me embora
A hora chegou
Deixo a senhora aqui
Vou contra meu gosto
Mas eu vou

Um dia eu volto
Para lhe buscar
Vou lhe fazer um pedido
Lembrando de mim
Não precisa chorar
Vou partir, mas lembrarei
De escrever uma cartinha
Mas não vou aguentar
Ficar tanto tempo
Sem poder lhe falar
Que seja ao menos por carta
Mas com a senhora
Eu vou conversar

Ande logo mãe
O carro já vai sair
Fique na porta e só entre
Quando na estrada eu sumir

Ao ouvir a buzina
Num adeus que é meu
Reze mamãe, peça a Deus
Felicidade para um filho seu

OS PAIS: JANUÁRIO E SANTANA

Seu Januário era um exímio tocador de sanfona e animador de bailes. Também era um requisitado afinador do instrumento, que nas horas vagas do trabalho na roça se dedicava a afinar a sanfona como ninguém na região.

Homem de poucas palavras e profundo conhecimento intelectual, apesar de nunca ter frequentado uma escola, Januário logo se tornou o mais importante tocador da sanfona de oito baixos. Ele foi o primeiro grande parceiro musical de Luiz Gonzaga, que ainda menino se apaixonou pela cadência do fole do pai. Por causa disso, seu Januário ficou conhecido como o “vovô do baião”. Faleceu em 1978, deixando em Luiz Gonzaga e em toda Exu, uma enorme saudade.

Um ano após a morte do velho Januário, Luiz Gonzaga grava um de seus mais bonitos discos: "Eu e meu pai”.

Adeus a Januário

Luiz Gonzaga
Compositores: (João Silva e Pedro Maranguape)

Ai que saudade, que dor
Que eu sinto até agora
De um velho e grande amigo
Que do mundo foi embora
Deus que ilumine os passos
Do seu novo itinerário
Tão guerreiro,companheiro
Conselheiro Januário
Seu Januário, Seu Januário
Deus que ilumine
O seu novo itinerário
Nesta minha homenagem
Quero dividir a dor
Com seu verdadeiro amigo
Que sempre lutou consigo
Na batalha e no amor
Sem medir qualquer distância
Sem contar qualquer horário
Aqui vai como lembrança
Meu deus, Seu Januário

Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento era conhecida como “Mãe Santana”. Durante muito tempo, Santana proibiu o filho de tocar sanfona, pois não queria que ele seguisse os mesmos passos do pai. Até que numa noite, um sanfoneiro contratado para tocar no Araripe faltou, e o menino Luiz foi convidado para tocar em seu lugar, com apenas 8 anos. Essa passagem é carinhosamente lembrada por Gonzagão, porque foi a primeira vez em que orgulhoso, ele tocou com a autorização de Santana. Seu primeiro cachê rendeu à família 20 mil réis e o tão sonhado reconhecimento da mãe.


Dona Santana faleceu em 1960, e o cemitério em que está enterrada em Exu leva seu nome: Cemitério de Santana.

Já vou mãe

Luiz Gonzaga
Compositores: (Dominguinhos e Anastácia)

Mãe eu vou me embora
A hora chegou
Deixo a senhora aqui
Vou contra meu gosto
Mas eu vou

Um dia eu volto
Para lhe buscar
Vou lhe fazer um pedido
Lembrando de mim
Não precisa chorar
Vou partir, mas lembrarei
De escrever uma cartinha
Mas não vou aguentar
Ficar tanto tempo
Sem poder lhe falar
Que seja ao menos por carta
Mas com a senhora
Eu vou conversar

Ande logo mãe
O carro já vai sair
Fique na porta e só entre
Quando na estrada eu sumir

Ao ouvir a buzina
Num adeus que é meu
Reze mamãe, peça a Deus
Felicidade para um filho seu

PAIXÃO PELA SANFONA

Luiz Gonzaga cresceu ouvindo o pai tocar sua sanfona de oito baixos e logo se interessou pelo instrumento.
Aos oito anos, fez sua primeira participação como sanfoneiro em uma festa e a partir daí começou a se apresentar na companhia de Januário em bailes, feiras e forrós.
Seis anos depois, comprou sua primeira sanfona. Como ele só tinha metade do dinheiro, um coronel da cidade que o adorava resolveu presenteá-lo com a outra metade.

Só em 1936, quando conheceu o colega Domingos Ambrósio no exército, é que Luiz aprendeu a tocar a sanfona de 120 baixos.
Desde então, seus dias nunca mais foram os mesmos e Gonzagão passou a ter na sanfona sua grande companheira de todas as horas.
Foi o início de um amor que durou até o fim da vida do artista.

PAIXÃO PELA SANFONA

Luiz Gonzaga cresceu ouvindo o pai tocar sua sanfona de oito baixos e logo se interessou pelo instrumento. Aos oito anos, fez sua primeira participação como sanfoneiro em uma festa e a partir daí começou a se apresentar na companhia de Januário em bailes, feiras e forrós. Seis anos depois, comprou sua primeira sanfona. Como ele só tinha metade do dinheiro, um coronel da cidade que o adorava resolveu presenteá-lo com a outra metade.

Só em 1936, quando conheceu o colega Domingos Ambrósio no exército, é que Luiz aprendeu a tocar a sanfona de 120 baixos. Desde então, seus dias nunca mais foram os mesmos e Gonzagão passou a ter na sanfona sua grande companheira de todas as horas. Foi o início de um amor que durou até o fim da vida do artista.

UMA VIDA DEDICADA AO FORRÓ

Ao longo da vida, Luiz Gonzaga ajudou de todas as formas possíveis o povo humilde que o cercava.
Foram muitas as sanfonas doadas a quem amava tocar, mas não podia comprar o instrumento. O que ele pedia em troca?
Apenas que os sanfoneiros levassem adiante o baião, o xote e o xaxado.
As “sanfonas do Lua” (apelido dado porque ele tinha o rosto arredondado, "de lua cheia”) deram aos apadrinhados do Rei do Baião um rumo profissional e a certeza de que ele deixaria para o mundo a sua escola.

Os amigos são unânimes em falar sobre a generosidade de Luiz, e contam que foram inúmeras as sanfonas dadas como presente a sanfoneiros que tinham talento. Muitas vezes, ele se aproximava e elogiava o sanfoneiro, mas dizia que sua sanfona era ruim.
Foi assim com Dominguinhos, que foi visto por Gonzagão tocando numa feira de Caruaru, aos oito anos de idade, com uma sanfona muito simples.
Tempos depois, o garoto recebeu uma novinha de presente. Esse jeito “Luiz” de ser encheu o mundo de sanfonas e ajudou a propagar o legado do nosso querido Rei do Baião.

UMA VIDA DEDICADA AO FORRÓ

Ao longo da vida, Luiz Gonzaga ajudou de todas as formas possíveis o povo humilde que o cercava. Foram muitas as sanfonas doadas a quem amava tocar, mas não podia comprar o instrumento. O que ele pedia em troca? Apenas que os sanfoneiros levassem adiante o baião, o xote e o xaxado. As “sanfonas do Lua” (apelido dado porque ele tinha o rosto arredondado, "de lua cheia”) deram aos apadrinhados do Rei do Baião um rumo profissional e a certeza de que ele deixaria para o mundo a sua escola.

Os amigos são unânimes em falar sobre a generosidade de Luiz, e contam que foram inúmeras as sanfonas dadas como presente a sanfoneiros que tinham talento. Muitas vezes, ele se aproximava e elogiava o sanfoneiro, mas dizia que sua sanfona era ruim. Foi assim com Dominguinhos, que foi visto por Gonzagão tocando numa feira de Caruaru, aos oito anos de idade, com uma sanfona muito simples. Tempos depois, o garoto recebeu uma novinha de presente. Esse jeito “Luiz” de ser encheu o mundo de sanfonas e ajudou a propagar o legado do nosso querido Rei do Baião.

O RASTRO DE LUA NO MUNDO

Luiz Gonzaga é considerado um dos inventores do Nordeste tal qual ele é conhecido hoje.
Sua arte foi tão poderosa que ultrapassou os limites da música e influenciou decisivamente a construção da identidade e da cultura nordestina no Brasil, até então dominadas pelo jeito de ser e pelos costumes do Sudeste do país.

Não havia distinção para o povo brasileiro entre as regiões Norte e Nordeste e muito menos algum tipo de admiração da parte sulista do país pela cultura nordestina.
Até que seu Luiz começou a se apresentar no Rio de Janeiro vestindo gibão e chapéu de couro, trajes típicos do vaqueiro sertanejo, cuja inspiração vem lá de Lampião.

Foi Luiz Gonzaga quem mostrou ao povo brasileiro o verdadeiro valor do nordestino, venceu o preconceito e cantou seu amor imensurável pelas coisas de sua terra como ninguém.
O Rei do Baião inaugurou o Nordeste para o Brasil e popularizou o baião, o xote e o xaxado para o mundo inteiro ver, ouvir e sentir.

 
Foi vestido de vaqueiro que mostrou-se um nordestino

Allan Sales

Envergando seu gibão
Pra conquistar o Sudeste
Representando o Nordeste
Qual vaqueiro peregrino
Com ele vou e combino
Sua canção um luzeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino

O RASTRO DE LUA NO MUNDO

Luiz Gonzaga é considerado um dos inventores do Nordeste tal qual ele é conhecido hoje. Sua arte foi tão poderosa que ultrapassou os limites da música e influenciou decisivamente a construção da identidade e da cultura nordestina no Brasil, até então dominadas pelo jeito de ser e pelos costumes do Sudeste do país.

Não havia distinção para o povo brasileiro entre as regiões Norte e Nordeste e muito menos algum tipo de admiração da parte sulista do país pela cultura nordestina. Até que seu Luiz começou a se apresentar no Rio de Janeiro vestindo gibão e chapéu de couro, trajes típicos do vaqueiro sertanejo, cuja inspiração vem lá de Lampião.

Foi Luiz Gonzaga quem mostrou ao povo brasileiro o verdadeiro valor do nordestino, venceu o preconceito e cantou seu amor imensurável pelas coisas de sua terra como ninguém. O Rei do Baião inaugurou o Nordeste para o Brasil e popularizou o baião, o xote e o xaxado para o mundo inteiro ver, ouvir e sentir.

Foi vestido de vaqueiro que mostrou-se um nordestino

Allan Sales

Envergando seu gibão
Pra conquistar o Sudeste
Representando o Nordeste
Qual vaqueiro peregrino
Com ele vou e combino
Sua canção um luzeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino